Era só o que eu conseguia responder a qualquer pergunta que me faziam. Nada mais, apenas essa simples palavra.
-Louca?
-Aham.
Até quando era uma simples pergunta em que a resposta devia ser um "não", era o famoso "aham" que imperada. Devia ser problema de nascença. Mamãe sempre dizia que eu já em sua barriga fazia barulhinhos esquisitos.
Bizarra eu? Aham. FATO. Já dizia o ditado: "de médico e de louco... todo mundo tem um pouco".
Aham pra cá, aham pra lá. Eu devia estar sofrendo algum distúrbio de palavras, se é que esse tipo de doença médica existe.
-Aham - o meu consciente dizia.
Essa coisa de eu tentar ser poeta estava fazendo os meus últimos neurônios que ainda restavam transformarem-se todos em um simples amontoado com quatro palavras: A - H - A - M. Perseguição assim, só em minha cabeça. Dormir para descansar não adiantava mais. Ler outras palavras, pra que? Dançar? Até um tal de Aham tinha nome de meu par!
-A
-H
-A
-M
Não, de novo não.
E o ciclo de ahans se configurava a cada dia da mesma maneira.
Obsessão? Aham, já era uma sim. Não dava pra escapar. E eis que nessa repetição propriamente dita que estava minha vida, uma quebra acontece:
-Uhum!