domingo, 29 de novembro de 2009

Olhos vagos, vagos olhos

Um minucioso movimento que começou do nada. O nada era o tudo para aquela menina. Menina boneca do sapatinho rosa da saia rodada. Roda roda a menina que brincava no parque. Porém, naquele rosto de porcelana algo estava de formando. Vinha do fundo dos seus olhos em direção a superfície passando pelo seu rosto e, finalmente, caindo em suas mãos. Eram lágrimas. Lágrimas do mais profundo sentimento. Ao olhar apaixonante que fez a pequena menina derramar o princípio do amor.
Quinze anos de vida e eis que o mais puro e verdadeiro sentimento se iniciava. Aquilo a constrangia... não poderia ser normal, mas por que não? Ela não sabia o que pensar, só sabia que amava e não queria parar de amar. Se amar era tão bom assim como ela sentia, para ela, todas as pessoas deveriam amar. Foi tudo em um olhar. Um olhar que fez brotar uma flor. Um olhar que a fez crescer. Um olhar que mudou seu modo de perceber e falar com as pessoas. Que a fez ser mais sensível, que a fez acreditar de novo que nada é por acaso.
Aqueles olhos verdes que a olhavam. Aqueles olhos verdes que a perseguiam em seus sonhos. Fitavam-na por onde quer que passasse. Eram olhos verdes que à luz dos sonhos metamorfoseavam-se em azuis. Olhos verdes de ressaca. Olhos penetrantes que a faziam andar suavemente, sentir-se calma e suspirante.
A vida já não era mais a mesma para a linda menina do sapatinho rosa e da saia rodada. O sapatinho já não era mais rosa, a saia já não era mais rodada. A roupa se modificara. Roupas mais adultas tomaram o lugar. Uma mudança havia se instaurado. Ah, o amor. O que faz o amor? Muda! Simplesmente muda. De menina a mulher. Da boneca angelical a uma formidável adolescente. Amor? Sim... o olhar verde que naquele dia encontrou os seus. O balanço que já não balançava mais naquela praça, pois a menina já não estava mais sentada lá. E no banco da praça lá estava ela a procura dos olhos verdes com lágrimas no ar.

2 comentários: