domingo, 24 de outubro de 2010

(En)tender

- Entender? Entender é complicado..., principalmente quando não se quer entender aquilo que se deve entender.
Era o que dizia a avó da menina naquela tarde no último piquenique de sua vida.
A menina tentava entender, tentava tentava, mas não entendia de jeito nenhum. Por que a avó tinha que deixá-la? Seria tudo um sonho ou mera realidade? Tender, com o prefixo 'en' acrescido. Pra que? Tender seria muito mais fácil, tendência, oras! Tendência da vida, tendência dos acontecimentos.
Um fiozinho emergia naquele momento nas idéias da menina. A princípio só um pontinho. Bem pequeno, pequeno mesmo. Porém, esse pontinho, foi se transformando em uma linha que ia costurando os vários pontinhos soltos de idéias. Tinha-se agora, uma linha contínua, que aos poucos fazia a menina "entender" os fatos que a circundavam.
Ela era órfã? Deve-se o leitor estar se perguntando. Talvez, diria eu. Órfã de carinho, órfã de sentimentos, de emoções que já não estavam mais ali.
Anos mais tarde ela ainda recordava o último piquenique com sua avó. Ela era toda menininha da saia rodada e da blusa de bolinhas. Menininha loira com um ar de curiosidade.Esperta? Sim, com certeza, afinal era uma criança. Como a avó tinha cuidados para com a menina. E sempre ao final do piquenique lhe contava uma história que só teria fim no próximo encontro das duas debaixo daquela árvore. Uma história, porém ficou sem fim. Qual seria o fim daquela abelhinha perdida?
A menina não encontrava soluções e, várias vezes, tentava entender o que a avó havia lhe deixado em suas últimas palavras.
Sim, era o que ela fazia: entendia, entendia, entendia e, mesmo assim, não entendia.
Mais uma vez, depois de dez anos, ela foi ao local do piquenique. Sentou-se embaixo da árvore como todas as vezes, comeu o lanche e frutas que trouxera e recontou-lhe a última história da avó.
Uma gota de água, todavia, caiu-lhe na ponta de seu nariz. Uma gota de água, sozinha, perdida, assim como a menina se sentia. Até que aquela gotinha juntou-se a outras, formando-se uma grande chuva. Então, pensou a menina:
- Entender... oh palavrinha mais fascinante!

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